Sábado 22 de Novembro de 2014

Nacional

Por uma corrente de trabalhadores combativa, classista e anti-burocrática!

26 Oct 2013   |   comentários

Por uma corrente de trabalhadores combativa, classista e anti-burocrática!
Como parte da preparação do Encontro de Trabalhadores e Estudantes entrevistamos Claudionor Brandão (diretor do Sintusp e demitido político) sobre a proposta de formação de uma nova corrente nacional de trabalhadores.

Contra os capitalistas e os governos, por uma corrente de trabalhadores combativa, classista e anti-burocrática!

Como parte da preparação do Encontro de Trabalhadores e Estudantes entrevistamos Claudionor Brandão (diretor do Sintusp e demitido político) sobre a proposta de formação de uma nova corrente nacional de trabalhadores.

JPO: Em sua opinião que impacto as jornadas de junho tiveram sobre os trabalhadores?

As jornadas de junho colocaram centenas de milhares de jovens nas ruas das maiores cidades do país. Estas jornadas reintroduziram na mente das massas, incluindo a classe operária, a ideia de que lutando nas ruas é possível quebrar a intransigência e dobrar os joelhos de governos e patrões. A maioria da população, inclusive os trabalhadores mais bem pagos e amplas parcelas das chamadas classes médias se viu mais representada nas ruas do que nos parlamentares e governantes, partidos e sindicatos tradicionais. Nas fábricas, nos locais de trabalho, foi possível sentir a politização correndo entre os trabalhadores como a corrente elétrica percorre os condutores. Essas jornadas mudaram a nosso favor as condições políticas para lutar por nossos direitos.

JPO: A paralisação nacional de 11 de julho foi a maior em décadas. Qual a importância que ela teve?

No dia 11 de julho os trabalhadores entraram em cena de forma organizada, aproveitando o chamado unificado de todas as centrais. Que até mesmo as centrais governistas e pró-patronais tenham chamado um dia de luta unificado só se explica pela pressão que havia na base dos trabalhadores. Mas fizeram isso somente em julho justamente para barrar a unidade entre os trabalhadores e a juventude. E quando fizeram foi com uma pauta que carregava pontos importantes, mas que foi definida nos gabinetes, longe das ruas e das assembleias operárias. Além disso, tentaram misturar as bandeiras da classe operária com bandeiras da burguesia, como a farsa da reforma política. Essa ação da burocracia que controla a maioria das centrais sindicais foi o que salvou os patrões e os governos em junho e julho.

JPO: Nesta situação política que tipo de organização os trabalhadores necessitam?

Se faz necessário romper a rotina a que nos acostumamos ao longo dos últimos anos. As demandas sociais profundas que vieram à tona em junho não podem ser atendidas sem atacar os lucros das empresas, os acordos do governo com os empresários nacionais e internacionais. Lutas como a dos professores do Rio de Janeiro ou a dos petroleiros precisam do apoio dos trabalhadores de todo o país.
Essa nova etapa exige superar todo o corporativismo e a estrutura sindical oficial que impõe a divisão entre categorias, entre efetivos e terceirizados, entre luta política e luta econômica. Exige superar a política das direções governistas como CUT e CTB e das direções pró-patronais como Força Sindical, CGTB e outras. Por isso participamos da CSP-Conlutas e chamamos a conformação de um pólo nacional, anti-governista e anti-burocrático que unifique a CSP-Conlutas, Intersindical e outros setores combativos da juventude e da classe operária para recuperar nesta nova etapa a tradição de luta da classe operária brasileira, das comissões de fábrica das décadas de 1960 e 1970, a organização das oposições sindicais contra os velhos e os novos pelegos e a recuperação dos sindicatos para a nossa luta.

JPO: Porque construir uma corrente nacional de trabalhadores?

Nós atuamos em diversas categorias de trabalhadores, em agrupações classistas e combativas junto a dezenas de companheiros independentes. Em cada um dos lugares atuamos pela unificação dos trabalhadores e pela solidariedade as lutas em curso. Lutamos pelos direitos das mulheres, dos negros e dos setores LGBTTs. Travamos combate contra os patrões e a burocracia, mas também contra o comodismo de organizações de esquerda que estão adaptadas à estrutura sindical corporativa e ao eleitoralismo burguês. Na USP atuamos como minoria do sindicato, em unidade com os sindicalistas combativos do Sintusp. No Metrô de SP conformamos com dezenas de trabalhadores a agrupação Metroviários Pela Base, assim como em professores com a agrupação Professores Pela Base na Zona Norte e Oeste de São Paulo, além de ABC e Campinas. Em bancários a partir do coletivo Uma Classe fazemos parte da frente única de oposição Avante bancários. Na indústria iniciamos um trabalho clandestino nas fábricas de Osasco, ABC, Campinas e Minas Gerais e organizamos companheiros e companheiras no Boletim Classista. Em Petroleiros demos um importante combate contra o governo e a burocracia junto a diversos trabalhadores nas últimas paralisações. No grupo de mulheres Pão e Rosas reunimos dezenas de companheiras trabalhadoras de fábricas, comércio, serviços em vários estados do país.
A vanguarda consciente que começou a despertar a partir das experiências de junho precisa ajudar a classe trabalhadora brasileira a construir uma corrente política e sindical de trabalhadores arraigada no chão das fábricas e demais locais de trabalho, que lute para recompor a unidades das fileiras operarias contra a divisão imposta tanto pela estrutura sindical corporativista, pela terceirização e precarização das relações de trabalho, quanto pela ação deliberada das burocracias tradicionais e das governistas. Uma corrente que lute para derrotar a burocracia e arrancar de suas mão os sindicatos e demais organizações dos trabalhadores para colocá-los a serviço das lutas da classe.
Queremos elevar a um novo patamar a luta pela organização de base, pela formação de comissões de fabrica e oposições e sindicatos classistas, pela retomada dos métodos combativos como os piquetes de greve. Queremos organizar uma corrente capaz de sacudir a rotina do movimento sindical e lutar pela constituição de um pólo nacional unificado que seja uma alternativa de organização e de direção para os trabalhadores de todo o país, contra as direções tradicionais que estão mais desacreditadas depois de junho. Para esta tarefa queremos levantar bem alto a bandeira da aliança operária estudantil contando com o apoio lado a lado da Juventude Às Ruas que esteve em greves, panfletagens, churrascos, piquetes ao lado de nossas agrupações operárias. Por isso, este Encontro em que nos propomos tirar as lições das jornadas de junho para avançar numa perspectiva revolucionária será um primeiro passo para avançar nestes objetivos.


TRABALHADORES E ESTUDANTES CONVIDAM AO ENCONTRO:

"Nas greves e nas lutas defendemos uma perspectiva de unificação denunciando a entrega das nossas riquezas naturais às multinacionais e a precarização do trabalho com a PL 4330"

Isabelle Moraes, petroleira do Rio de Janeiro

"Vamos tirar as lições também da combativa greve dos professores do Rio de Janeiro contra a precarização da educação e lutar para que todo político, juiz ou funcionário público de alto escalão ganhe o mesmo salário que nós!"

Rita Frau, professora da rede pública de Campinas/SP e membro da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta

"A Juventude Às Ruas chama a construir este Encontro a partir das ocupações estudantis e também de eleições onde batalhamos por entidades militantes e aliadas aos trabalhadores como no curso de Filosofia da UFMG"

Francisco Libanio, membro do CA de Filosofia da UFMG, Minas Gerais

"A luta contra o racismo histórico em nosso país deve ser um debate fundamental deste Encontro, gritando em especial pela punição dos assassinos de Amarildo"

Marcela Darido, da Juventude Às Ruas

Vamos construir uma corrente que seja parte da CSP-Conlutas lutando para que esta avance como uma central combativa, classista, independente e organizada pela base para combater a burocracia sindical

Pablito Santos, diretor do Sintusp e trabalhador dos Restaurantes da USP

"Devemos lutar pela estatização dos serviços públicos sob controle dos trabalhadores e usuários, e do não pagamento da dívida pública e impostos progressivos aos capitalistas para garantir serviços gratuitos e de qualidade para todos"

Marília Rocha, operadora de trem do Metrô de São Paulo

"Queremos que as mulheres estejam na linha de frente deste Encontro colocando com tudo nossas campanhas contra a violência às mulheres e pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito"

Silvana Ramos, liderança da lutas das trabalhadoras terceirizadas e do Pão e Rosas

"Nós da LER-QI apresentaremos neste Encontro a todos companheiros e companheiras que militam conosco neste Encontro um chamado a construir um Movimento pela Internacional da Revolução Socialista, a IV Internacional"

Diana Assunção e Val Lisboa, dirigentes da LER-QI

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